
Esta é uma homenagem a Genice e às mulheres que amam e vivem por amor.
Ela veio para ficar!
Genice, amor eterno! Você fez de sua historia a minha. Agradeço por me escolher e repartir seus sonhos com os meus!
A nossa história é semelhante a de todos amantes e apaixonados, muda o cenário e os personagens, mas esta tem algo ímpar, a constância da paixao e de amor que nem o casamento e a morte venceram, ao contrário aumentaram cada dia, antes alimentados pela sua presença, agora pela sua ausência.
Estes textos são baseados em minhas lembranças e nossas cartas e fotos, retratos de uma juventude feliz, pinceladas tênues e superficiais, pois sou incapaz de ser fiel aos pequenos detalhes do dia a dia que fizeram com nossa vida fosse perfeita do primeiro ao último dia.
Desejo apenas que Genice seja eternizada e que as pessoas sensiveis ao lerem descubram que o amor verdadeiro existe, é invencível e eterno.
Aqui conhecerão Genice e se apaixonarão por uma mulher, que representa a todas outras no que elas tem de mais perfeito e divino, que é a capacidade de amar, de doar-se, de gerar a vida, e superar tristezas e sofrimentos com alegria, sorrisos e uma energia que, nós homens, por mais que tentemos, nunca teremos.
"Is there anybody going to listen to my story
all about the girl who came to stay?"
(Lennon/McCartney)
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Meu amor, é onze horas da noite, chovendo, estou de plantão e não paro, sempre tenho que ir ao hospital.
Estou sentado aqui na calçada da cozinha, onde você gostava de sentar comigo e conversar, a Indianara
está sentada ali fora, contemplando a noite e o Fidelis, sempre mais pachorrento, deitado na sala, com
as patas para cima, dormindo... ambos em seu mundo felino, felizes e satisfeitos. O Doug, pobrezinho, já
tão velho e com aquela doença de pele que nenhum veterinario sabe o que é, está proximo a deixar-nos e
vou deixá-lo, então, junto com você, lá no seu jardim. Agora, e você não conheceu, temos também o Vicente
e um outro que nem sei o nome, ambos adotados e vira-latas. Esses são nossos animais, meus companheiros
de noites solitárias como a de hoje. Em noites chuvosas assim nós nos sempre ficávamos juntos ouvindo
musicas, vendo filmes ou nos amando. Saudades de seu toque, de suas carícias, de me sentir necessário e
importante. Saudades de te dar presentes e de seu sorriso, da cor de sua pele, seu cheiro, o timbre de sua
voz, saudades de sua alegria, seu cantar e seus olhos nos meus.
Genice, não sei viver sem você... estou apenas sobrevivendo.










Quem nos conhece sabe que nosso amor apenas cresceu em todos estes anos. Sempre fomos um casal
escandaloso... em bailes dançávamos de corpos colados, face a face, olhos nos olhos, em longos beijos
na boca e eu sufocado com meu rosto enterrado em seus longos cabelos, com aquele lugar delicioso
onde termina os cabelos e começa o pescoço, impregado de Opium, nosso perfume do amor.
Na rua sempre de mãos dadas em intermináveis conversas, vivemos só para nós e isso foi confundido
com antipatia ou orgulho. Pena, mas pouco estou ligando.
Nessa carta eu falo que minha alegria, minha felicidade eram as cartas que recebia. Lembro-me, com saudade,
da sensação, das mãos tremulas ao abrir o envelope e a primeira coisa que eu fazia era sentir o cheiro delas, pois
ela sempre esfregava as folhas em seu corpo antes de me mandar.
Uma coisa Deus não permitiu, e eu pedi nessa carta... ficar velhinho ao lado dela. Agora tenho medo de minha
velhice, meu futuro sem a Genice não existe. Profetizei que nosso amor venceria a morte... isso acertei, sempre
soube, desde o dia em que, pela primeira vez, nossos olhares cruzaram, que aquela menina era minha alma
gemea e seria o unico amor de minha vida.
Ano de 1972... tantas noites e dias de completa felicidade eu teria ainda pela frente graças ao meu
grande amor: Genice.
Nossas cartas vão começar a ter partes em que serei obrigado a apagar. Acontece que quase dois anos de
namoro e nossa sexualidade começa a se mostrar forte e faminta. Para os dias de hoje, nada do que está lá
escrito talvez fosse muito "forte", mas a Genice não está aqui comigo, então acho melhor preservar alguns
sentimentos e sensações apenas a nós dois.
Naquele final de 1972 nossa paixão já era definitivamente eterna. Estávamos irremediavelmente viciados
um ao outro. Vício que, durante nossa vida, cada vez foi mais exigente e sempre o alimentamos com nosso amor.
Hoje, fiquei sozinho, e como já disse aqui, estou em plena sindrome de abstinência de Genice. Não tem cura, não
tem melhora e nem quero curar ou melhorar, quero, todos dias lembrar-me dela e sofrer sua falta, para que
ao encontrá-la esteja sedento, faminto de seu amor.
Isso se Deus permitir, se não permitir, tudo que ela já me deu, já valeu viver mil vidas sofrendo.
Genice, não se passa um só dia em que eu deixe de pensar em você, passo mais tempo contigo em meu
pensamento que o contrário. Nada eu faço sem antes pensar em você. Meu amor, eu te amo e nunca te
esquecerei. Jamais imaginei que conseguiria viver sozinho, sem seu calor e companhia, mas agora pouco
descobri o quê me dá forças para continuar vivendo:
Guilherme chegou da escola, eu estava no quarto vendo TV, ele ficou na sala e sozinho ligou a televisão,
o playstation e começou a jogar Homem Aranha( sempre ele), depois de uns dez minutos gritou:
"Vô! Vô!", eu respondi, " que foi bebê" e ele gritando: " Eu te amo!", apenas isso e continuou a jogar.
Acho que você falou por ele, e se não foi, prefiro imaginar que sim.
Querida, sempre, sempre, eternamente eu te amo!






Duas imagens da mesma mulher, a de 1972 e a de 1975, esta ultima clicada em dezessete de julho de 1975,
dia em que nevou em Curitiba. Nessa tarde eu estava de plantão em Obstetrícia no Hospital de Clinicas em
Curitiba. Também eternizei esse dia na foto abaixo, com meus colegas de sexto ano. Entre uma foto e a outra
nós nossa paixão apenas cresceu e reafirmou o que já, ambos, sabíamos, que nossos destinos eram um
só, que éramos um só corpo e uma só carne e assim seremos até a eternidade.
Meu amor, seu netinho Guilherme está jogando videogame, o Ricardo na ária conversando e o Raphael já chegou
em Curitiba. Nossa filha, seu espelho,seu clone, está por aí, talvez em seu quarto. Você faz falta a todos nós
todos os dias, mas noto que seus filhos orgulham-se de ter Você como a sua mãe. Eles te vêem como realmente
você sempre foi:
uma mulher única, especial, super mãe, que amou toda sua vida e enriqueceu as nossas vidas com sua existência.
Nós te amamos, amor. Você continua viva para nós.
Beijos.

Estou de blusa vermelha.









Foto tirada em uma de minha idas a São Paulo, ver a Genice. Ela morava nessa rua. Nossa felicidade está
estampada no rosto dela. Lembro-me dessa blusa que eu usava, comprei na Casa China em Curitiba. Eu
estava passando em frente e a vi na vitrine. Entrei, comprei com as poucas economias que tinha e usei até
ficar puída. A Genice a adorava, hoje parece estranha, mas era moda na época. Meu cabelo também, é, eu
tinha cabelo, era estilo black power, ou panteras negras.
Lembro-me do dia dessa foto, estávamos felizes e apaixonados. Ainda estamos. Ela lá do Céu e eu daqui ainda.
Estive pensando hoje, mais um dia profundamente triste em que o vazio tomou conta de mim. Enfim, estava
pensando hoje o quanto foi maravilhoso viver toda minha vida com Genice e que a maior de todas as maravilhas
foi esperar todos os dias pelo seu toque em mim, ouvir sua voz falando com os filhos, cantando, sempre alegre
e ver em seus olhos, ao me olhar, a profundidade de um amor que nada destruiu.
No dia dessa foto mil beijos eu dei naqueles lábios sorridentes, senti o calor de seu corpo e o bater de seu
coração compassado ao meu nos momentos em que o amor e a paixão se fundiam e nossos corpos, ainda
inexperientes, se tocavam em febre e desejo.

Tirei essa foto em nossa lua de mel. Ambos sabíamos que estávamos iniciando uma caminhada juntos em
que o amor e o respeito seriam a base de nossa existencia.
Genice, hoje, especialmente hoje, sinto-me só e desamparado. Eu te amo!


















Oito de abril de 1976, dia mais feliz de minha vida. Nesse dia voltamos a ser um só e nossos corpos se uniram e
sentiram o amor e a ternura intensos, que só o "dar-se" é capaz de gerar. Lembro-me, nessa noite, de abraçado
a Genice, na suite nupcial do Mabu HOtel, em Curitiba ( na mesma praça da Universidade em que estudei), dizer:
" Genice, agora nunca mais ficaremos distantes, não precisaremos mais de cartas e estaremos juntos todas as
noites e manhãs de nossas vidas".
Jurei a ela, antes de dormir, que eu a faria a mulher mais amada do mundo e que só ela me possuíria, e assim
eu cumpri e não me arrependo, pois todas mulheres do mundo estavam nela e tive a todas em uma só.
Fui fiel por opção e não por imposição e sinto-me feliz por isso. Quando a reencontrar olharei em seus olhos
e estarei à sua altura.

Duas das tres mulheres de minha vida. Genice e minha mãe, Catarina.
Domingo, meu pai nos levou passar o dia no rio Bico dos Papagaios, próximo a Curitiba. Meu pai, naquele dia,
brincando na cachoeira, cortou a cabeça... lembro-me do sangue escorrendo em seu rosto e seu olhar de
ansiedade.
Fomos cedo, levamos o lanche e lá passamos o dia em família. Base de uma formação em que o respeito pelos
pais era essencial, tanto fazia se eles estavam certos ou errados, era, e é até hoje, lei suprema qualquer
norma ou regra instituída por eles. Assim fui criado e assim me sinto feliz... meu pai e minha mãe foram os
grandes artífices de minha personalidade, de meu jeito de viver e enfim, de meu sucesso profissional.
Minha mãe amava a Genice e elas tiveram o mesmo destino... se foram com a mesma idade e eu e meu
pai tivemos o mesmo karma... perdemos nossa alma gemea.
Eu perdi um amor que, seguramente, não é apenas desta minha existência. Genice já foi minha em todas
as minhas vidas e se Deus permitir ainda a amarei muito mais outras vezes.
FANTASIAS!
O GUILHERME ESTÁ DORMINDO DEITADO EM MEU OMBRO, LABIOS INCHADOS, SURPRESO COM A DOR.
Genice, relatório de nosso netinho Guilherme. Ele acaba de chegar, caiu e está com o labio superio inchado, sentado
na hidro, triste, sonolento e mais lindo ainda bicudo. Acho que se descuidar ele dorme na banheira.
Meu anjo, em todos dias de minha vida, desde aquela tarde ensolarada de domingo de janeiro em 1970 em que te
conheci, eu tive o meu primeiro pensamento do dia em você. Desde oito de abril de 76, dia mais feliz de minha vida,
eu além de pensar em você, me virava ao lado e te tocava e beijava e te acordava com meus carinhos, ou era acordado
pelos seus. ( O Gui está chorando ao meu lado, todo dengoso)
Nunca, até hoje, fiquei um só dia sem você em minha mente e agora estou só. O que fazer com os finais de tarde em que
estarei aqui e você está com Deus. O que fazer com o resto de meus dias e com o que sobrou de mim, pois você, com sua
ida, levou o que eu tinha de bom, minha capacidade de amar, meu sorriso e literalmente, minha vida.
Tenho o Guilherme ao meu lado, mas ele não é meu... um dia até sem ele ficarei e então, meu anjo, o que será de mim?
Tenho medo de minha velhice... antes ela era bem vinda, pois seria mais uma cúmplice de nosso amor, agora ela é minha
inimiga, ela me atemoriza, me causa calafrios e medo. Nunca imaginei ficar sem você, te perdi no seu auge de vitalidade, de
beleza, de paixão, te perdi em plena lua de mel, na época de nossas vidas em que voltaríamos a viver apenas um pelo outro.
Que pena! Tanto amor tenho em mim e minha amada se foi!