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Quando Genice mudou-se para Jundiaí, em 1974, morava em uma casa velha de madeira e no quintal
tinha uma mangueira e nela esse balanço feito de cordas e madeira rústica, registrei esse momento sublime
em que ela, menina ingênua transfigurou-se em uma mulher fatal ao balançar e elevar seu corpo, pois me
disse anos após, que havia malícia e sedução em seu pensamento ao expor suas lindas pernas, e esse sorriso
mostrava a satisfação que sentiu a me ver a reação que tive. Não lembro qual foi, mas imagino.
Não pensei naquele momento que essa garota me proporcionaria uma vida tão rica e repleta de felicidade,
sabia sim que eu seria feliz, fui intensa e plenamente em todos os dias de minha vida, homem mais
feliz não existiu, palavras não são suficientes para expressar os sentimentos que ela me inspirou e os
prazeres que me proporcionou. Não por uma semana ou um ano, mas em todos os dias que
vivi ao seu lado, sem exceção de nenhum sequer.
Genice até o último instante era cheia de energia e alegria. Não consigo mesmo aceitar sua perda,
foi brutalmente arrancada de mim e eu não estava preparado para algo tão terrível.
O primeiro inverno se foi, veio depois a primavera, o verão e o outono, novamente o frio e o inverno
retorna e cada dia ainda continua sendo o primeiro. Primeiro 31 de dezembro, primeiro dia 25 de janeiro,
dia que a conheci, primeiro dia 8 de abril, nosso casamento, 24 fevereiro, seu aniversário, todos os
dias são os primeiros sem Genice. Todos trazem alguma lembrança ou recordação.
Chega agora o dia em que ela se foi para sempre e a dor nada mais faz que crescer e crescer.
Haja o que houver, aconteça o que acontecer, meu amor por Genice nunca acabará e no final dos
tempos estará maior ainda que hoje, e mesmo após o fim de tudo, mesmo que eu seja um elétron apenas,
orbitarei ao seu redor com toda a energia que esta paixão gerou e rompendo todas as leis da física,
entrarei em você em uma explosão de amor, como se fosse uma fusão nuclear, e quem sabe iniciaremos
um novo Big Bang, criando um universo novo impregnado de seu amor.
Querida, estou cada vez mais só. Estou procurando fazer o melhor possível, ser o mais justo que consigo.
Não sei se tenho sucesso, por favor, me ajude, venha a mim em meus sonhos.
Eu Te Amo Para Sempre. Eternamente Você, Genice, Será Sempre Meu Amor!

Genice com nosso primogênito Raphael, mãe perfeita, completa, amorosa. Essa foi a
característica de meu amor, sorrisos e mais sorrisos, sempre alegre e cantando. Felicidade
era seu viver, momentos de angústia duravam minutos e ela com sua personalidade e força
trazia de volta ao seu semblante a paz e o amor, e vencia sempre o mal com o bem.
Mulher vitoriosa. Mulher divina. Onde estiver estará liderando.
Eu te amo, estou louco de saudades amor!

Genice a mulher de minha vida, linda e soberana no jardim da praça de
Jundiaí do Sul, nesse pequeno espaço cheio de arvores e flores, vivi dias
maravilhosos e mágicos. Prenúncio dos prazeres que ela me proporcionaria
durante toda minha vida, e mesmo agora, sinto uma felicidade imensa em ter
recordações de uma vida totalmente dedicada a amar um alguém que sempre
foi a expressão máxima do AMOR VERDADEIRO.
Genice, você é a paz, é a vida, é a juventude, é o sonho realizado e é
o meu amanhã quando voltarei a estar ao seu lado.

O restante desta carta o tempo levou. Nunca saberei o que aconteceu "ontem".
Terminaram as férias escolares. Meses em que nos amamos intensamente, minuto a minuto.
Parece mentira, mas nossos lábios até ficavam doloridos após tantos beijos.
Nada e ninguém nos separavam, ao amanhecer ela entrava no quarto em que eu dormia, sorrateira e furtiva,
sorrindo beijava meus lábios mordendo de leve o inferior. Na hora em que íamos deitar como se fosse uma
despedida longa, deliciosos beijos e abraços e dezenas de “eu te amo".
Durante o dia, sentados no banco da praça ou andando de mãos dadas, íamos construindo o alicerce de nosso amor.
Assuntos não faltavam, Genice em sua meiguice sempre tinha historias longas, brejeiras e inteligentes a contar,
eu seguia embevecido pela garota por quem me apaixonara. Nosso amor, desde o inicio era tão intenso e puro
que nunca tivemos duvidas de que formaríamos uma família.
Eu só pensava em Genice, Genice só pensava em mim.
Ninguém amou como nós amamos.
Estava pensando hoje, deitado quase dormindo, por que a amei tanto e por que durante toda minha vida só
a ela tive como mulher?
A resposta veio no mesmo instante em que indaguei. Simples e tão complexa.
Porque Genice conseguiu ser não uma mulher, mas todas as mulheres do mundo ao mesmo tempo.
Nunca precisei de mais ninguém, ela em sua multiplicidade supria todas minhas necessidades.
Era minha irmã carinhosa que afagava meus cabelos e me colocava no colo quando triste, pegando minhas
mãos e beijando meus dedos;
Era minha namorada apaixonada que escrevia cartas de amor, algumas manchadas pelas lágrimas e
beijava o papel deixando neles seus lábios marcados;
Era minha amante, amante perfeita que se transformava conforme nossos desejos, sendo casta ou profana,
luxuriosa ou angelical, era milhões de mulheres em um só corpo;
Era minha amiga e conselheira que suportou e ajudou-me a vencer grandes crises, a dias de mau humor,
sempre com sabedoria e inteligência, sofreu comigo cada caso difícil que eu tinha;
Era minha psiquiatra e psicóloga, pois sei que não sou fácil, mas ela transformou-me e até estudou psicologia e
gnose para ajudar-me a enxergar meus egos (muitos) para comigo destruí-los e até ensinou-me a
meditar ouvindo seus mantras;
Era minha boneca viva, a quem eu enfeitava com roupas, jóias (Ah! Como adorava!), perfumes, maquiagens,
apenas para fotografá-la, levá-la ao cinema, aos bailes, orgulhoso de sua beleza, inebriado
com seu perfume (invariavelmente em bailes era Opium, pois sabia que eu amava);
Foi minha mentora na profissão, no último ano de medicina comprou um livro de eletrocardiograma, deu-me dizendo,
-- Estude Fernandes que vai ser importante para seu futuro--,
Incentivou-me a me especializar em cardiologia, já com três filhos pequenos deixamos nossa vida confortável e estável
para retornar à vida difícil de estudante sem dinheiro e repleto de responsabilidades e mais tarde quando fiz a
prova de titulo, cuidou de mim me alimentando e confortando durante as longas horas de estudo, e depois elevou- me
às alturas, orgulhosa como se eu fosse o melhor médico do mundo;
Foi minha esposa querida, minha cúmplice e confidente, sempre me tratou com desvelo, me vestindo, protegendo,
trazendo todas as noites um lanche e se eu estava dormindo, comia de olhos fechados apoiado em seu ombro;
Foi finalmente a mãe de meus filhos e a vovó de meu neto, aí realmente Genice se superou, nossos filhos a adoram,
literalmente, e o Guilherme, há dois dias, olhando ao céu, sem motivo algum, exclamou:
Vó Ice, por que! Por que!
Três aninhos e tão apaixonado pela vovó que só o teve por tão pouco tempo.
E por fim, transformou-se em minha guardiã, aquela que das alturas me protege e não permite que a
maldade e o pecado me possuam. Genice é agora meu anjo, está com Deus interferindo por mim, e
aguardando o momento de júbilo de nosso reencontro.
Por tudo isso e tanto mais,
Eternamente, eu te amo!




Eu e Genice, o Guilherme com o filme Brancaleone na mão, vendo na TV
Desde cedo está chovendo. Chuva e frio fazia esses dias serem previsíveis, primeiro o cochilo após
o almoço, daí vinham os meninos brincar e pular na cama e mais tarde nosso neto, lutando, pulando e
brincando de casinha com a coberta.
Se perguntar a qualquer um deles qual é a recordação que tardes assim trazem, dirão:
---mamãe ficava o dia todo deitado com o pai no quarto, nós juntos na enorme cama, e ela sempre
no entardecer levantava para fazer bolinhos de chuva com canela e açúcar. Delícia!
Filmes inesquecíveis que sempre amamos e vimos varias vezes, as crianças rindo com a Genice
comentando "O Baile", "Decameron", "Roma de Felini", “ Família Serpente” encontrando em
cada personagem a semelhança de um parente ou conhecido, às vezses se emocionando com ela
ao ver "Cats", "José" e há muito tempo atrás uma versão deliciosa de "O Barbeiro de Sevilha".
Momentos que passávamos que valem uma vida. Muitos viverão toda sua existência e não terão
sequer um dia de felicidade como dezenas desses que tivemos.
Felicidade compartilhada por todos nós, Genice, eu, nossos filhos, e nos últimos dois anos nosso
netinho Guilherme que era e é apaixonado pelos dois filmes de "Brancaleone". Genice era impagável
quando falava ao Guilherme, assistindo ao Brancaleone: “Piruê, Piruê”! E ambos gargalhavam gostoso.
Li minha ultima publicação e a achei triste e depressiva, quero hoje exaltar e anunciar a todos que não
importa o quanto eu sofra no que me resta de meus dias, o prazer e a felicidade que Genice me
proporcionou supera toda essa dor. Valeu a pena. Ah! Como valeu!
A sua alegria e seu sorriso continuam comigo, minha solidão é física apenas.
Realmente estou muito triste, vivo uma dor “insuportável” que eu suporto com a força de sua
lembrança e a alegria de ter tido Genice ao meu lado. Sou feliz em minha dor, porque tenho uma
bela história a contar, vivi uma vida rara, uma vida que muitos nunca, mesmo que queiram, terão.
Fui, e sou um homem escolhido por Deus, pois Ele deu-me uma família maravilhosa e principalmente
deu-me Genice, que me ensinou a amar, a ser Homem, a vencer os desafios e a conhecer e vencer
meus egos, uma mulher que conheci menina, juntos amadurecemos e juntos vencemos todos desafios
que a vida nos trouxe.
Aprendemos muito durante o período em freqüentamos a Gnose, com ela iniciamos o conhecimento
de nosso interior, a olhar dentro de si e reconhecer os egos que destroem nosso ser, e ao conhecê-los,
destruí-los. Ali aprendemos a alquimia, a arte do amor tântrico, maravilha que poucos conhecem, e
dos que conhecem, alguns apenas conseguem realmente entender e a realizar.
Genice, dias chuvosos como hoje, tardes frias assim, noites escuras trazem recordações de
prazeres que só quem ama conhece, prazeres que nunca mais terei.
Nunca esquecerei você, meu amor, sinto nos lábios ainda hoje, um ano após, o sabor de
seus beijos e em meu corpo o seu o calor e a maciez de sua pele com perfume de Sève.
Noites frias e chuvosas, noites em que ouvíamos músicas no último volume (vantagem de
se morar em uma casa) e fazíamos meditação. Quantas vezes ficamos ouvindo mantras por horas.
Seu rosto mais belo ainda ficava, e quando você voltava dizia que havia feito viagem astral ( inveja,
nunca consegui, minha mente sempre foi mais forte que a mim).
Quando deitávamos você se esquivava fugindo de meus pés sempre gelados para que não encostassem
em seu corpo, e eu rindo e brincando, fazia questão de aí sim, tocar em você só para ver sua fuga
risonha e alegre e seus gritinhos, como que dizendo, -- vem amor, vem!
Querida, cada minuto lembra-me de pequenos detalhes de nossas vidas, detalhes que pareciam
tão sem importância, mas que agora descobri, são desses pequenos momentos, detalhezinhos, dos
bolinhos de chuva, filmes e músicas saboreados juntos, são esses instantes que fizeram nossa vida
ser especial e rara, o nosso amor que já nasceu gigante tornou-se mais forte e poderoso.
Um amor que nada destrói, nem a vida destruiu e nem a morte conseguirá.
Levaremos nosso amor para a eternidade, no Paraíso seremos apontados por todos anjos, pois
continuaremos a nos beijar e a nos amar sempre e cada vez mais. Avise seus amigos anjinhos, que
quando eu aí estiver, tomarei você só para mim e não te largarei jamais.
não deixem de visitar o blog anterior,
fcfcardiol.blog.uol.com.br
divulguem nossa história...
última homenagem ao meu amor eterno
GENICE

Amor de minha vida, toda alegria e sensualidade. Nunca imaginei que você, já sendo
vovó, ainda seria tão linda e jovem. O amor nunca permitiu que você envelhecesse.
O nosso netinho está aqui ao meu lado dizendo que a vovó Ice, tem bigode
e virou homem, e está rachando de rir. Beijos, minha linda.
meu amor e nossa filha raphaele, mãe do guilherme, mesmo fantasiada
genice continuava esbanjado charme e sensualidade.
Genice, meu amor. Hoje estou sentindo uma grande tristeza, ela sufoca-me e faz com
que sinta que o ar que respiro não seja suficiente e tenho falta de ar, opressão no peito
e melancolia intensa. Junho, mês que você tanto amava, mês que tirou-te de mim para
todo o sempre. Você adorava festas juninas, quentão de vinho, usar roupas quentes que
te agasalhavam mas deixavam descoberto seu belo rosto, que o vento frio mais belo ainda
deixava. Lembra-se que no primeiro ano de nosso namoro te presenteei com um gorro de
pele branco, sua tez morena contrastou e quando você ria, todo seu rosto como que explodia
em luz.
Quantas noites, sentados aqui no chão da sala de casa, debaixo de uma coberta, as crianças
pequenas em volta, tocando o disco do Carequinha e nós comendo pinhão.
Tempos maravilhosos, felicidade total.
Nós, mesmo com os filhos crescendo, ainda tínhamos e sempre tivemos conduta
de namorados, beijos furtivos, mãos maliciosas, sorrisos e olhares enviesados de promessa e censura.
Sua beleza me encantou desde o primeiro dia, e lembro-me que, minutos antes de te deixar para ir
doar seus orgãos, olhei seu rosto, seus movimentos de respiração, e te disse: "Amor, sua vida agora
vai para outros, mas mesmo hoje, agora, em seu último minuto você continua sendo tão linda
quanto no primeiro dia, e vou passar toda minha vida não permitindo que te esqueçam".
Beijei cada dedinho de suas mãos, cada dedinho de seus pés, beijei seus lábios, seus olhos cerrados,
deitei minha cabeça no seu colo e ouvi sua respiração pela última vez, olhei suas mãos, desenhei
com meus dedos suas veias azuis, apertei-te inteira e te abracei, disse adeus e me fui para
a escuridão em que estou até hoje.
Solidão! Saudade!
Amor, não posso mais escrever porque choro.
Perdão por não ter visto que você tinha algo tão grave. Falhei, não vi.
Daria minha vida, venderia minha alma para poder dizer mais uma vez apenas olhando seus olhos,
Genice, eu te amo!