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Comecei a te namorar quando você tinha 16 anos. Você, bandida, me fez esperar como diz a letra desta
música, também do mesmo filme "Dio Come Ti Amo", filme que há menos de 3 anos compramos e não tivemos
coragem de assistir novamente.

Musica linda que inspirou beijos e carinhos. Assistimos ao filme apaixonados e ao sairmos estávamos em febre,
famintos um pelo outro.
Genice e eu nos completávamos, hoje tomei consciencia do motivo disso, porque nossas referências, nossas
memórias, nossas músicas, filmes eram os mesmos. Crescemos juntos e amadurecemos juntos. Que pena
que não vamos envelhecer juntos. Vivemos um mesmo mundo, um mesmo tempo, um mesmo universo.
Vi cada ruguinha de seu rosto brotar e com pinça, tantos cabelos brancos eu tirei, mas tinha um que me
venceu, em sua sobrancelha.
Ia escrever mais, mas seu netinho, nosso netinho Guilherme está trepando em meu colo, exigindo a minha
presença e dizendo... vovô, você já terminou, você já pensou?
Ontem pegamos ele falando com você, sozinho.
--Vó Ice, não quero este duende do gibi, olhava para o céu, -- quero o duende verde do filme. Viu vó Ice,
é o duende do filme que eu quero.
O tempo todo falou brincando com o seu duende sem nos ver e continuou assim.

Semana passada pela primeira vez fui a casa de meu pai depois de sua partida. Ao subir as escadas e olhar
ao lado vi exatamente esse lugar onde tirei essa foto. Nem preciso dizer, que eu com o Guilherme dormindo
em meu colo, desandei em prantos tendo que ser amparado por meu pai.
Nunca em toda minha vida imaginei tamanha dor.
Linda Genice nesta foto, olhar malicioso. Motivo? Só eu e ela sabemos!
Genice, nunca houve mulher mais bela que você!
Viveria mil vidas ainda só para te procurar novamente e repetir tudo o que fiz com você.
EU... ETERNAMENTE TE AMAREI!
Todos me aconselham:
Fernandes, não fique assim tão triste, a Genice não gostaria de te ver sofrendo... você não está permitindo que ela
se liberte deste mundo. Volte a viver e deixe-a em liberdade.
Eu respondo, -- não esquecerei Genice jamais, não é por ela estar ausente que meu amor vai diminuir, vou
continuar pensando nela todos minutos que me restarem.
Egoismo seu, dizem, você tem que libertar quem ama.
Não, respondo. É apenas amor, amor de uma perfeição tão grande que poucos entendem.
A semente da dúvida foi lançada e brota, me deixa, como agora, ansioso. Faço mal a quem mais amo?
Será que estou prejudicando a mulher de todas as minhas vidas?
Será que eu deveria deixar de pensar nela para libertá-la?
Impossível. É como tirar minha visão e achar que vou ser feliz ou me acostumar sem ela. Seria tão bom se fosse
a visão a minha maior perda!
Esta música Genice ouvia sempre quieta, introspectiva. Ao seu término eu já esperava seus beijos e ela dizer
-- Fer, perdão porque te amo mesmo e não te divido com ninguém. Você é meu e só meu!
Agora eu que digo a você Genice, perdão se por te amar demais não permito que se liberte deste mundo, perdão,
mas você vai ter que ficar então por aqui. Não deixarei de te amar, não te esquecerei jamais. Esses anos que restam
em que, em hipótese, eu possa egoísticamente estar te causando sofrimento logo passarão e então voltaremos
a ficar juntos.
Não vou deixar você em paz... vou te amar... vou pensar em você todos momentos...
não vivo sem você.
Onde você estiver, se puder, ouça novamente esta música e desta vez eu é que te peço perdão pelo
meu amor, por te amar demais.
Este amor que é abençoado por Deus vai te deixar aí ligada a mim até que Deus permita o nosso reencontro.
EU TE AMO!
Eu sofro aqui, você sofre aí! Sempre rimos e choramos juntos mesmo, então nada mudou.
Meu vício. Beijar. Vício que perdeu sua razão de ser. Melhor que beijar é beijar a mulher amada, a minha se foi.
Beijos de ternura, de carinho, de amizade, de tesão e desejo. Beijos molhados de reconciliação. Beijos
com dor, mordidas e até sangue, durante o auge da paixão. Beijos aos filhos, tímidos aos meninos, menos
tímidos à Raphaele e agora ao Guilherme. Beijos de adoração durante seu dormir. Beijos de saudade saciada
em sua chegada e de angústia e fome em nossa despedida. Beijos no escuro do cinema como o primeiro de
todos, ao assistir Minnie & Moskowitz( aquela foto publicada ali embaixo), filme que selou nossa vida, apesar
que nem você e nem eu o assistimos, embevecidos que estávamos na explosão de sentimentos do primeiro dia
do restante de nossas vidas. 13 fevereiro de 1971.
Beijos, Beijos, Beijos!!!
Todos possíveis nós fizemos e alguns impossíveis também.
Genice... doce sabor de seus lábios que nunca esquecerei. No inverno eram um pouco ásperos, mas
sempre deliciosos. Genice, você, menina sapeca, me ensinou a beijar... e agora o que faço?
Um dia, em Curitiba, pouco antes de voltar a Ribeirão do Pinhal, pelo eMule gravei todas musicas de Nana
Mouskouri que consegui. Fiz o CD e pegamos a estrada. Em certo momento começou a tocar esta música,
Espera-me no Céu, Coração. Não a conhecíamos ainda. Ambos, Genice e eu, ao ouvir começamos a chorar...
ela deitou-se no meu colo, ( adorava ficar assim enquanto eu dirigia) e senti a umidade e o calor de suas
lágrimas em minha perna. Comentamos então que aquele de nós que fosse primeiro, no Céu ficaria a
espera do outro. Parei o carro no acostamento e a beijei longamente nos lábios, a proxima musica era
De Colores, Genice voltou a sorrir e a cantar, com ambos os pés apoiados no painel, todos vidros abertos,
cabelos ao vento e feliz, feliz como só ela sabia ser. Obrigado amor, por esta lembrança querida.
Essa música fez parte de nossa história, fiquei em dúvida qual publicar. Escolham e ouçam.
Traduzam a letra e sintam a dor que sinto ao ouvi-la.




Querido Amor, palavras que escrevi a tanto tempo e são atuais. Nosso amor só aumentou.
Tempos difíceis aqueles em que o futuro era incerto e estávamos começando a fazer parte de um mundo
que se mostraria tão cruel.
Genice tinha acabado de conseguir emprego no Laboratório Achè, hoje uma potencia, naquela época era
praticamente de fundo de quintal. Genice trabalhava na produção de dextrovitase e ali ficou até que em
um acidente de trabalho queimou a mão na estufa e não mais voltou. E eu, estudava, dava os meus plantões
no Pronto Socorro Municipal, hoje do Hospital Cajuru e morria de saudades.
Hoje só não morro de saudades porque já estou parcialmente morto. Com meu anjo foi minha vida, só me resta
esperar o dia de revê-la novamente.
Primeira fita cassete que dei a Genice foi esta, tempos bons de fita cassete.
Simon & Garfunkel fizeram parte da nossa vida, de nosso amadurecimento.
Outras musicas que GG amava eram The Boxers, The Sound of Silence e todas as desta gravação.


Alguem pode imaginar porque publiquei essas duas fotos.

Shangri lá, litoral do Paraná. Janeiro de 1981. Setembro do ano anterior meu irmão Ramon,último ano
de medicina, morreu em acidente de carro. Dias tristes. Meus pais estavam conosco e arrasados.
Raphaele ainda não tinha nascido, nasceu em outubro de 1982. Fato pitoresco nesses dias:
o Raphael e o Ricardo todos dias apareciam coberto de "cocô", eu e GG não sabíamos o porquê, e então,
descobrimos que nos fundos da casa em que estávamos, a fossa tinha estourado e ali os dois brincavam...
Lembranças pitorescas... saudades demais!
Genice, ao te ver tão jovem nessa foto e tão linda, sinto-me o homem mais feliz do mundo por ter tido
você durante toda minha vida. Eu te amo, esteja aqui ou onde estiver, não me interessa. Sempre vou
te amar.

Estava lendo novamente esta carta. Só a li quando a escrevi há mais de 37 anos e é como se estivesse
escrevendo hoje. O mesmo amor. A mesma saudade. Unica diferença é que nunca mais haverá chegadas,
só as memórias, lindas e fantásticas memórias, dos anos que tivemos juntos estarão me acompanhando em
minha, agora eterna, solidão.
Para ficar mais alguns segundos com você, eu costumava acompanhar o onibus de carro, para ver sua cabecinha
no lado de fora da janela, sua mão me dando adeus e seu, ou melhor, nosso incontido choro a molhar nossas
faces de lágrimas que se transformaram na base de nosso amor eterno.
Genice, onde estiver... EU TE AMO!!!!


