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Apenas aqueles que tiveram a bonança de viver um amor verdadeiro poderão ter ideia do que eu e a Genice
sentíamos. Éramos jovens, vivíamos em um tempo diferente de hoje, em um país que fazia da desinformação uma
política. Jovens e imaturos. O amor veio, e veio como uma avalanche tomando conta de cada fibra de nosso ser.
Desde o dia em que eu a conheci, até hoje, 14461 dias, em nenhum deles deixei de pensar quase todo o tempo nela, e ela
sei que nos 14028 dias que me teve vivo em sua mente, todos dias pensou em mim e em todos eles, sem excessão de
nenhum, foram dias de felicidade e de amor recíproco.
Poucos tiveram a ventura de serem tão felizes como nós e além de tudo, uma felicidade contínua, sem percalços, sem
crises, sem brigas e sem choros.
Em toda nossa vida juntos dormimos uma noite brigados, quantas vezes eu fazia birra e ficava ouvindo musica na sala
e Genice vinha de mansinho, chorosa, olhos lacrimejantes me dizendo..
" amor, vem deitar comigo, deixa disso, eu te amo! Vem que não quero ficar sem o cheiro de seu cangote"... e lá ia
eu, todo cheio e me fazendo de difícil, e todas vezes, creio que sem excessão de nenhuma, as manhas eram causadas
por minha culpa, pelo stress e pelo meu mau genio.
Todas noites dormimos de mãos dadas ( incrivel, mas é verdade) ou deitados de conchinha como sempre gostamos.
Vivi uma vida rica, o amor me era dado abundantemente e todos dias, fiquei viciado em seu calor, em seu perfume,
no seu corpo. E agora, o que fazer?
Esperar apenas!



Mais uma noite insone, apenas aliviada por cochilos e sonhos invariavelmente com você.
Tudo que, em tantas conversas você me dizia que temia, aconteceu. Estou sozinho nesta enorme cama
antes cumplice de nossa paixão, hoje testemunha de momentos de tristeza indefinivel e sei, que se
ela pudesse, tambem estaria em lágrimas carente que está do peso de seu corpo, de seu perfume e
da sua alegria. Este quarto antes foi o lugar mais vivo da casa, mais alegre é hoje o simbolo da
solidão e do sofrimento.
O que me espera, amor! Sinto medo de viver este restante de vida que me sobrou na angustia de
saber que VOCE nunca mais.
Minha revolta continua tomando conta de meu ser. Não entendo até agora o que aconteceu.
Parece tudo um interminavel pesadelo, estou exausto. Sedente de você, da visão de seu corpo
e do prazer de sua presença. A solidão torna-se cada vez mais dolorosa e cruel.
Ontem eu era rico em amor, hoje sou mendigo do mesmo amor.
Genice, esse é o preço de amar demais. O amor gera dor e prazer, meu tempo de prazer se foi e
agora estou mergulhado na era da escuridão só você poderia vencer.
Vou parar aqui, acho que estou divagando e sendo repetitivo.
Genice, onde esteja saiba que estou contigo em alma.

Vi minha alma gemea pela primeira vez em janeiro de 1970, eu cresci e amadureci ao seu lado. Juntos
descobrimos o prazer de amar e o sabor salgado das lágrimas quando separados estávamos.
Juntos descobrimos o mundo, a felicidade, o viver com riqueza espiritual e assim foi toda nossa vida.
Essa foto foi na ária do Dr. Munir aqui em Ribeirão, mesmo ano destas cartas, 1972.
Saudade de você, meu anjo. Linda menina foi, grande mulher se tornou. Exemplo de viver foi o seu.
Deus está te recompensando pelo amor que gerou e pela sua existencia perfeita. Eu te amo.
Essa musica era uma das preferidas da Genice, e com essa banda Buddha.

Meu Anjo adorado! Sempre foi seletiva em seus prazeres, exigente e com bom gosto extremo.
Tomorrow, musica de Paul McCartney naqueles tempos era apenas mais uma musica dos "cabeludos", e
ela já a amava.
Nessa foto Genice, menina ainda, brincava em um balanço nos fundos de sua casa, aqui já em Jundiaí do Sul,
na verdade, ela me disse depois, queria me deixar ainda mais apaixonado com a visão de suas pernas.
Conseguiu. Suas lindas pernas me enfeitiçaram por toda minha vida.

Mesmo dia da foto anterior. Dias no Paraíso. Dias imersos em amor que se transformaria eterno.


Eu em Curitiba e você em São Paulo. No mesmo dia de maio escrevemos essas cartas abaixo. Nossa paixão
era, e continua sendo até hoje, tão intensa que além do prazer que causava também dor e tristeza eram
companheiras, amigas fiéis.
Desde o dia que nos conhecemos a sensação de sermos um só foi tão inexorável que nunca a questionamos.
Com um ano apenas de namoro, já sabíamos que nossos destinos se entrelaçaram tornando-se umsó e isso
foi algo aceito e nem discutido. Nosso amor era real. Era palpável.
Eu amava Genice. Ela me amava. O resto era esperar o dia de nossa união.
Eu sentia a dor terrível da saudade, da vontade de tocá-la, de saber onde estava, o que comia, o que vestia,
minha maior obsessão era ver no Jornal Nacional o tempo em S.P., ver transeuntes na rua na vã e claro,
tola, esperança de ver a Genice ali.
O sofrimento, causado por um namoro em que a distância era real, alimentado por cartas, por lágrimas e saudades,
foi a argamassa forte que fez de minha relação com Genice algo sublime e raro. E Eterno.
Não digo que outros não amem como nos amamos, mas tenho certeza que amor maior que este nunca haverá.
Todos os dias de minha vida, a partir de 25 de janeiro de 1970, sem excessão de nenhum, eu
acordei e dormi pensando nela. Nossa oração era "EU TE AMO" com beijos e sorrisos amanhecer até o entardecer.
Agora Genice se foi.
Tristeza indiscritível, tão intensa que essa palavra não mais a define. Antes eu tinha saudades e nas férias eu
a via. Agora tudo se acabou, jamais seu sorriso lindo, jamais sua voz me chamando.. "Amor, vem comer"
Genice, saudades de você! Vontade de você! Meu amor! Minha vida!
Agora pouco fui na casa de meu irmão levar um documento e ao entrar ele estava sentado jantando com
a família... saí de lá com as lágrimas correndo pela minha face... desespero!
Sensação de NUNCA MAIS!
Nunca mais jantei, e minha companheira agora é a solidão, e a única fome que sinto é a de VOCÊ GENICE.







Foto tirada em 23 de setembro de 2006. O Guilherme no colo da Genice, seu pai João Carlos, que se foi
deste mundo em fevereiro deste ano, a Raphaele e Jeny.
O Guilherme quase não teve contato nenhum com seu bisavô João, praticamente não o conhecia.
Hoje cedo, a Raphaele estava em seu quarto trocando de roupa, o Gui atras brincando com seus bonecos
de super- herois, e sem mais nem menos, sem sinal algum de emoção, subitamente disse:
" coitadinho do vovô João todo mundo esqueceu dele!"
apenas isso, nada mais...
não tenho nada a dizer, apenas uma auto crítica a fazer.
Creio que ele foi usado pela Genice. Não sei.

Guilherme, nosso netinho, acaba de vir me dar um beijo de boa noite. Olhou no monitor e viu sua foto.
Pensou um pouco, virou-se para mim e disse:
-- Vó Ice! Eu queria tanto ela!
Apenas isso. Nem é necessário ele dizer mais nada.
Amor, o Gui cresceu tanto que você iria se maravilhar. Cada vez mais inteligente e ativo.
Como você sempre dizia...
"Esse é o neto que eu pedia a Deus!"

Jantar de formatura da Genice. Não sei quem estava mais orgulhoso.
Ela por realizar o seu sonho de ser universitária ou eu por ser amado pela formanda mais velha da turma e
a mais linda, exuberante e cuja presença irradiava luz.

Genice foi abençoada por Deus.
Não sentiu em seu espirito ou em seu corpo os anos passarem. Imaginem, 52 anos e linda assim!
Sua beleza e alegria iluminavam qualquer
ambiente que ela estivesse. Essa foto foi tirada em um dia especialmente feliz. Sua formatura em
pedagogia. Realização de um sonho que ela com seu altruismo adiou por mim. Em 1987 quando iniciei a minha
especialização ela tinha passado no vestibular em Jacarezinho, como tivemos que nos mudar para Curitiba,
seu sonho foi protelado e apenas em 2007 conseguiu realizar, já com seus dois meninos formados em Medicina
e sua filha encaminhada em Direito.
A alegria desta foto mostra o que seu coração sentia. Genice nesse dia, no jantar de formatura, presenteou cada
colega de sala com uma caixinha com versiculos da Bíblia, para serem retirados aleatóriamente.
Estava feliz, rindo, exuberante em sua beleza e inebriante em seu perfume. Meu anjo, mal sabia que em menos
de um ano estaria longe de mim e de seus filhos e netos ( seus amores).
Genice, do Céu enxugue minhas lágrimas. Eu te amo!