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Noite fria de julho, pouco dinheiro no bolso, quase nenhum. Eu e você sentados dentro do Opala vermelho de
meu pai. Férias e muita paixão. Nosso passeio noturno era ir até a praça 25 de março, estacionar o carro no meio
fio, pedir para o atendente da kombi, que era a lanchonete da época, um cheese salada para cada , comer
se lambuzando com catchup, maionese e mostarda, sempre em grande quantidade, conversar muito e
depois ficar ali namorando.
Tempos estranhos e deliciosos em que enquanto nos acariciávamos, isso mesmo, só caricias e beijos,
os sentidos ficavam aguçados de medo de batida policial.
Nossos labios não se descolavam um minuto sequer, nossas mãos descobriam cada nuance do corpo do outro,
um amor imensuravel em pleno desenvolvimento.
Os vidros do carro ficavam embaçados com nossa respiração, o frio intenso de julho em Curitiba sempre era
vencido pelo calor de nossos corpos em febre. Paixão que nunca diminuiu, Genice me deixou em plena e eterna lua
de mel, quando seu corpo adoeceu estava molhado pelos meus beijos, que minutos antes, sem saber que seriam
os últimos, eu dei.
O derradeiro foi em sua nuca, bem ali em sua nuca. Lembro me que levantei seus lindos cabelos e a
beijei e ela virou o rosto e me beijou também. Feliz, sorrindo...
Querido amor... amanhã faço o segundo aniversário sem você... onde estiver, e sei que está com Deus, olhe
por mim e faça com que minha angustia diminua... me ajude!
Estou em Curitiba, acabo de chegar do shopping. Imensa solidão com centenas de pessoas ao meu redor.
Passei na loja árabe, aquela que você entrou comigo e provou varias roupas que te deixaram mais linda
ainda, salientando em suas cores vivas seus olhos brilhantes e sua pele morena. Seu sangue árabe nunca
te traiu, mais linda ainda ficava, tanto que comprou naquele dia tudo que o quis, nunca teve oportunidade de usar.
Estão ainda lá em seu guarda-roupa guardados para nunca mais serem usados e admirados.
Meu amor, meu sofrimento é torturante, cruel... sua presença é a minha vida, o meu ar e o meu mundo.
Nada sou sem você. Nunca mais serei feliz!
Tenho a sensação que estou sendo repetitivo, cada vez menos pessoas me lêem.
Perdoem me se só sei falar de amor, mas é só isso que eu vivi em toda minha vida. Nada mais sei
a não sei amar, amei intensamente, vivi anos mergulhado em paixão, em uma interminável lua de mel.
Nenhum dia de minha vida deixei de dizer a Genice que a amava e nenhum se passou sem que a
beijasse com beijos que ligavam nossas almas em um fio invisível tão forte que até hoje continua
nos unindo.
Vou continuar aqui apenas falando em amor, repito... só isso eu sei, só isso eu viví. Minha vida
toda foi Genice e apenas ela, minha vida toda foi amando e assim vou terminá-la.
Genice... estou morrendo de saudades.
Eu te amo!




Quase nada mais tenho a acrescentar, tudo que escrevi há tantos anos é real até hoje. Apenas a saudade,
sempre minha inimiga, agora tornou-se mais cruel, pois vingou-se de tantos anos de felicidade e estará presente
em todos os dias de vida que me restarem. Eis aí, nessas cartas, a magia de inicio de um amor intenso e perfeito.
O sofrimento da ausência, a tortura de noites acordado imaginando e mesmo insone, sonhando os mais belos
sonhos que afinal se tornaram realidade.
Toda nossa história, nossas angustias, nossos desejos estão dia a dia registrados nessas folhas de caderno,
sempre aquele caderno que estava mais a mão nos momentos em que a vontade de escrever era imperativa.
Eu disse e continua sendo real. Para diminuir a saudade sentia necessidade de falar de meu amor e é exatamente
isso que faço aqui.
Falo da Genice, olho suas fotos, cada uma com sua história, pois todas, sem excessão, foram tiradas por mim,
divulgo seu nome e exalteço sua personalidade. Tudo isso me ajuda a enfrentar a solidão e a saudade.
Nestes momentos sinto-me novamente um adolescente escrevendo uma carta apaixonada para o seu
amor. O meu será para sempre a Genice, minha primeira e única namorada, minha primeira e única mulher,
minha esposa, minha amiga, minha confidente, minha cumplice, minha alma gemea. Genice é uma parte
enorme do meu ser, parte que, como na música de Chico, foi arrancada de mim. Sou agora, um fantoche, um
arremedo do que fui.
Me espere amor, voltarei para você.
Cartas tão antigas e mesmo assim atuais. Escrevi nesta publicada hoje. "Querida te adoro, cada dia mais, e sem você
sinto me deslocado." Assim me sinto, cada dia mais te adorando e o mundo sem você não tem espaço para só a mim.
Não estou apenas deslocado, estou perdido, sem saber o que fazer com meu tempo, sem saber para onde ir, onde passear,
sinto me paralisado e ainda entorpecido pela enormidade da tragédia que sobre mim se abateu.
"Nosso dia chegará, nós construiremos um lar só para nós, seremos felizes, poderemos nos amar o quanto quisermos,
faremos um universo de amor só nosso". Assim escrevi, e assim fizemos. O universo de amor que construimos é eterno
atraves de nossos filhos e neto. Fomos felizes, criamos, vivemos e construimos uma história que ainda será escrita.




Meu anjo, estou tentando fazer um filme seu, de uns minutos, para publicar aqui. Não estou conseguindo, cada
vez que ouço sua voz, desabo e não consigo.
Agora, neste instante, estou assim...
Sua voz, tão linda e cristalina, nem parece que se foi. Eu a ouço e te vejo ao meu lado. Nunca vou superar
sua ida. Considero-me vencido. Eu te dou meus braços e deixo neles os grilhões de um amor tão grande
que nem sei se quero deixar de sofrer.
Eu te amo...
Como sua voz é linda!
4:30 horas da manhã. Domingo. Noite insone novamente, acabo de chegar e de ajudar a um lindo menino a
vir ao mundo. Sempre ao chegar, você estava acordada vendo TV me esperando, quando não ia junto, e me
perguntava... "Guri ou menina?"
Sua presença sanava meu cansaço e o restante da noite, aquecido em seu corpo, me era um prazer imenso.
Agora, nesta cama que foi cumplice de nosso amor, sinto-me só. Totalmente e definitivamente só.
Os minutos se transformarão em horas e depois dias e meu amor querido onde estará neste tempo todo?
Beijos querida.
Eu te amo!