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Dois videos que retratam a perfeição que foi a minha vida com Genice. Em um deles nós gravamos em camera
fixa, com intervalos regulares, um dia de domingo. Sempre deitados em nossa cama que era ao mesmo tempo,
nosso ninho, nosso útero, a mesa de lanches e o lugar de reunião de familia e de vez enquando, lugar onde
se dormia.
Fomos imensamente premiados com a felicidade, companheira de todos os dias. Não lembro de nenhum dia
em todo o meu casamento em que eu possa dizer... hoje não fui feliz!
Não é facil encontrar cenas da Genice, os filhos eram prioritários nas filmagens, mais dificil ainda foi separar
algumas delas, meu coração quebrou em mil pedaços e estou agora tentando consertá-lo com minhas lágrimas
e com o amor que sinto por essa mulher que foi tudo em minha vida.
Outro filme tem a Genice com seu pai João Carlos, que não suportou a perda da filha e se foi apenas seis meses
após Genice. Agora estão no Céu, conversando e nos esperando ansiosos, pois sabemos que éramos amados
pelos dois.
Genice, ouço sua voz e não aceito que não está mais comigo. Talvez tudo isto seja um pesadelo longo e logo
eu acordarei aos seus braços e aquecido pelo seu amor.
Saiba querida, que sempre te amarei. Minha dor é insuportável, pior seria se fosse você que a tivesse sobre os
seus ombros.
Lembro-me da saudade pungente que só a distancia do ser amado inspira. Era uma sensação deliciosa, vivia
todos os momentos pensando na Genice, nem sempre no consciente, mas com seguramente sempre ou consciente
ou inconscientemente. Tudo me levava a ela. Ficava sentado na ária de casa, rua Agamenon Magalhaes, rua que até
hoje é o trajeto de chegada dos onibus que veem de São Paulo, e ali ficava vendo chegar, sabia todos os horários,
da Cometa, da Penha e da Pluma e por apenas uma razão: ver as pessoas dentro deles e imaginar, olhem só que
bobeira, que eles há 6 horas atras estavam na mesma cidade que a Genice.
Um dia vou escrever aqui da importancia que tinha para mim o carteiro que fazia a minha rua. Meus olhos ficavam
fixos nele até o momento que passava em casa, ou me trazia a felicidade atraves de cartas, ou a decepção regada
a angustia por não ter vindo nenhuma, mas logo amenizado pela certeza que amanhã viria.
Os dias passavam lentos, sentia o cheiro dela o tempo todo, seu cheiro me enfeitiçou durante toda minha vida,
talvez de todos os meus sentidos, o olfato foi o que me atraiu mais. Genice tinha um cheiro indescritível, depois de
casados eu brincava com ela dizendo que ia criar um perfume delicioso, magico e afrodisíaco apenas com a efusão de
suas roupas usadas.
Também sua voz estava sempre ressoando em meus ouvidos, sua imagem todas noites eu projetava na parede do meu
quarto e dormia vendo. Queimei algumas lâmpadas do projetor de meu pai assim. As fotos eram todas em slides, pois eram
mais economicas que as de papel.
Nas cartas vinham pedaços de papel do chocolate que tinha comido, de sua unha, de seu cabelo. Lábios impressos em batom
eram constantes, a cada dia descobriamos algum modo diferente de exprimir o nosso amor.
Hoje, 20 de setembro faço aniversário, melancolico dia. Triste. Terrível. Iniciei em lágrimas e seguramente assim vou terminá-lo.
Quem primeiro me viu, como sempre foi o Guilherme, meu neto de 3 anos. Ele veio perto de mim e eu disse:
"Gui, venha deitar com o vô que está muito sozinho!", com um sorriso meigo respondeu:
"Vô, cê não tá sozinho não, tá com DEUS!"
Sem palavras!
Tive trinta e sete aniversários ao lado da Genice, dois sem ela. Quantos será que me faltam para encontrá-la
novamente... Como posso amar tanto alguém assim...
Consolo... cada dia que passa é menos um longe de meu amor.