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Guilherme perguntou ontem a sua mãe.
Mãe, a vó Ice vai demorar para voltar? Estou com muuuiiitas saudades dela! Gosto muito da vó Ice.
Você, meu amor, é inesquecível. Ele, uma criança de 3 anos e oito meses, ficou já 16 meses de sua vida
sem ver te ver e ainda sente saudades, tudo porque você o marcou indelévelmente. O amor que ele sente por
você e você por ele é maior que tudo o mais que possa ainda surgir na vida de nosso neto.
Eu, eternamente, te amo!
Deus criou o Universo. Eu e a Genice construimos o nosso próprio universo, usamos para isso
a força do amor, das palavras, das ações... Ela me inspirou, cada dia de minha vida, a amá-la
com paixão e ternura. Eu procurei, também a cada dia, tratá-la como minha rainha, a pessoa
mais importante de minha vida. Todos dias, em ações ou palavras, o meu amor por ela eu
reafirmava e dizíamos, ambos, que nós nos casávamos todos os dias e nossa lua de mel
era eterna.
Qual é a arte de ser apaixonado como fui toda vida. Simples. É ter a felicidade de encontrar
em seu caminho alguém como era a Genice. Foi facil amá-la, impossível não sentir por ela
nada menos que amor.
Querida, construimos nosso universo e fiquei nele sozinho. Agora, quarta feira, dezenove e vinte
e estou completamente só nesta enorme casa, nesta enorme cama, cumplices de nossa paixão.
Querida, não permita que eu cometa erros e perca a oportunidade de encontrá-la novamente.
Eu te amo e minha força é a esperança de nossa união e reencontro. Penso em você todos tempo,
não sei como estou conseguindo viver sem você. Eu te amo!
Setembro de 1972, apenas dezenove meses de namoro e já começávamos a incomodar. Na carta que a
Genice escreveu em 10 de agosto ela diz que contou tudo para sua mãe sobre o que aconteceu... ficou
no ar, para vocês, o que ela estava falando.
Éramos apaixonados, nos beijávamos o tempo todo, respirávamos o mesmo ar e tudo em nós era intenso
demais, e nossos parentes (problemas sempre são derivados deles) não entendiam e faziam críticas.
Uma tia foi dizer a minha mãe que eu ficava beijando a Genice em público e isso era vulgar e minha mãe veio
me chamar a atenção e eu, como sempre foi minha caracteristica, fui ao ataque...e foi um escândalo familiar e
é sobre isso que a Genice fala em sua carta. Tanto era pouco importante isso tudo, que ela apenas citou e
nem falou mais nada.
Toda nossa vida, até o último em que vivemos juntos, fomos isolados da sociedade exatamente porque nós nos
bastávamos, nos saciávamos e nosso amor era visível demais, prolongado demais, que incomodava os que
não tinham a mesma felicidade que nós.
Nesta vida posso dizer: " eu amei!... eu amo! " e hoje mesmo conversando com meus filhos no almoço disse a eles:
" Olha, Ricardo e Raphaele, nada é mais importante na vida que o amor, nada mais tem valor... para que me serve
esse carro de luxo que tenho na garagem, o dinheiro que ganho, o fato de ser médico, isso tudo é exterior, apenas o
amor tem a força sobre tudo, até sobre a morte e o exemplo de amor é sua mãe, amem bastante, assim
voces estão homeageando a memória dela"
Vivi um grande amor... então tenho uma grande história para contar, pois em cada amor verdadeiro existe sempre
uma história a ser contada. Queria ser capaz de, em palavras, mesmo que em pálidas imagens, transmitir
o que a Genice deu me nesta existencia. O maior prazer que possa existir que é o prazer de amar e ser amado.
E eu ainda tive a felicidade de encontrar a perfeição, a mulher divina que foi o meu grande amor, Genice.
Meu amor, como viver sem você?








As cartas falam por mim, nada mais preciso dizer.
Meu irmão Ramon, a partir da data dessa carta, viveu mais exatamente 8 anos, dois meses após ser
padrinho de batismo do Ricardo, meu filho do meio, morreu em um acidente de transito, no penultimo
ano de medicina pela federal do paraná.
Ele amava a Genice, ela o amava. Hoje estão juntos com minha mãe aguardando seus amados com
carinho e amor. Vocês, meu irmão, minha mãe e minha alma gemea, amor eterno Genice, estão com DEUS.

Meu amor, o Guilherme está ao meu lado pelado, como sempre, pulando na cama e lutando
para evitar o inevitável banho.
Ele acordou de madrugada e disse, meio que acordado, meio que dormindo...
"mãe, tô com saudade da vó Ice!', a Raphaele respondeu...
"bebê, a vó Ice agora é um anjinho no Céu!", ele retrucou, já dormindo...
"quero que ela volte logo, volte hoje".
Querida, já faz mais que um ano que você se foi e uma criança de menos de quatro anos
não te esquece. Você sempre foi um ser especial, magnífico, único.
Como o Ricardo disse e eu escrevi.. Privilégio tivemos todos em ter a felicidade de que você
fizesse parte de nossas vidas, e de te conhecer.
Vou ter que parar de escrever, pois o nosso netinho está pulando na cama e eu, com o notebook
no colo, não consigo adminstrar ele e minha concentração.
Beijos meu amor, esteja onde estiver, saiba que eu te amo.
fernandes