
| Histórico.: |
| Outros sites.: |
| Visitas.: |

| Layout e HTML by.: |

Acho que já publiquei essa foto, não tem importancia, ela é linda demais e merece ser recordada.
Na praça de Jundiaí do Sul, dias magicos, dias de sonho, dias em que alicerçamos nosso futuro
com beijos, carinhos, juras e confidencias. O amor mais puro e perfeito que possa ter existido.
Setembro de 1992, eu estava em campanha política, era candidato a vereador. Genice minha companheira
inseparável, meu braço direito ( e esquerdo), era quem coordenava minhas atividades. Uma tarde, em um
sitio, encontramos uma mulher grávida de oito meses, em sua casa, lembro-me, tinha um pé de jaca cheio
de frutas... Genice, sempre muito carinhosa, mimou a mulher gravida, brincou com ela bastante, jogou todo
seu charme ( que era enorme) e viemos embora.
Hoje, agora pouco, tive que ir ao Hospital examinar uma gestante de primeiro filho. Uma garota linda, mesmo
em trabalho de parto, delicada e meiga. Após o exame fui conversar com sua mãe e então ela me contou:
Lembra-se doutor, daquela tarde que a sua esposa foi a minha casa e eu estava grávida... então, aquela
menina no meu ventre é essa que o senhor examinou e o nome dela é Raphaele como sua filha, nome que eu
escolhi em homenagem a Genice, de tanto que eu gostei dela. Amor, você fez história!
Hoje, também, logo em seguida , no mercado, encontrei uma amiga cuja filha fez cirurgia cardíaca e ela
me contou do seu sofrimento ao levar a menina no colo e entregar à enfermeira para uma cirurgia de alto
risco, sem saber se a veria de volta. Então lembrei do meu sofrimento ao te entregar, respirando, com pressão
normal, respirando, para a equipe de transplante. Foi me dado um tempo para me despedir, beijei sua boca,
cocei seu pé, no calcanhar, onde você gostava, beijei seus pés, suas mãos, sussurrei no seu ouvido meu amor
eterno e meu agradecimento pelo prazer de viver ao seu lado e ser amado por você, deitei no seu peito, senti
seu coração batendo e então te entreguei para a cirurgia, onde para você, não teria retorno, mas outras familias
estavam naquele instante festejando a vida que você lhes trouxe. Dor maior não há. Nunca pensei que entregaria
minha vida, meu amor, para nunca mais ve-la. Pesadelo.
Hoje, o Guilherme, nosso netinho, limpando com a lingua a lente de seu oculos, como ele diz " rotwil", disse...
" mamãe, quando eu era pequenino ela gostava muito de mim", a Rapha perguntou... " Quem bebê?"
" a vó nice, ué!".
PS... perdão se está meio confuso, é que nunca corrijo e nem releio, pois cada publicação é um sofrimento enorme.
Meu amor, é onze horas da noite, chovendo, estou de plantão e não paro, sempre tenho que ir ao hospital.
Estou sentado aqui na calçada da cozinha, onde você gostava de sentar comigo e conversar, a Indianara
está sentada ali fora, contemplando a noite e o Fidelis, sempre mais pachorrento, deitado na sala, com
as patas para cima, dormindo... ambos em seu mundo felino, felizes e satisfeitos. O Doug, pobrezinho, já
tão velho e com aquela doença de pele que nenhum veterinario sabe o que é, está proximo a deixar-nos e
vou deixá-lo, então, junto com você, lá no seu jardim. Agora, e você não conheceu, temos também o Vicente
e um outro que nem sei o nome, ambos adotados e vira-latas. Esses são nossos animais, meus companheiros
de noites solitárias como a de hoje. Em noites chuvosas assim nós sempre ficávamos juntos ouvindo
musicas, vendo filmes ou nos amando. Saudades de seu toque, de suas carícias, de me sentir necessário e
importante. Saudades de te dar presentes e de seu sorriso, da cor de sua pele, seu cheiro, o timbre de sua
voz, saudades de sua alegria, seu cantar e seus olhos nos meus.
Genice, não sei viver sem você... estou apenas sobrevivendo.










Quem nos conhece sabe que nosso amor apenas cresceu em todos estes anos. Sempre fomos um casal
escandaloso... em bailes dançávamos de corpos colados, face a face, olhos nos olhos, em longos beijos
na boca e eu sufocado com meu rosto enterrado em seus longos cabelos, com aquele lugar delicioso
onde termina os cabelos e começa o pescoço, impregado de Opium, nosso perfume do amor.
Na rua sempre de mãos dadas em intermináveis conversas, vivemos só para nós e isso foi confundido
com antipatia ou orgulho. Pena, mas pouco estou ligando.
Nessa carta eu falo que minha alegria, minha felicidade eram as cartas que recebia. Lembro-me, com saudade,
da sensação, das mãos tremulas ao abrir o envelope e a primeira coisa que eu fazia era sentir o cheiro delas, pois
ela sempre esfregava as folhas em seu corpo antes de me mandar.
Uma coisa Deus não permitiu, e eu pedi nessa carta... ficar velhinho ao lado dela. Agora tenho medo de minha
velhice, meu futuro sem a Genice não existe. Profetizei que nosso amor venceria a morte... isso acertei, sempre
soube, desde o dia em que, pela primeira vez, nossos olhares cruzaram, que aquela menina era minha alma
gemea e seria o unico amor de minha vida.
Ano de 1972... tantas noites e dias de completa felicidade eu teria ainda pela frente graças ao meu
grande amor: Genice.
Nossas cartas vão começar a ter partes em que serei obrigado a apagar. Acontece que quase dois anos de
namoro e nossa sexualidade começa a se mostrar forte e faminta. Para os dias de hoje, nada do que está lá
escrito talvez fosse muito "forte", mas a Genice não está aqui comigo, então acho melhor preservar alguns
sentimentos e sensações apenas a nós dois.
Naquele final de 1972 nossa paixão já era definitivamente eterna. Estávamos irremediavelmente viciados
um ao outro. Vício que, durante nossa vida, cada vez foi mais exigente e sempre o alimentamos com nosso amor.
Hoje, fiquei sozinho, e como já disse aqui, estou em plena sindrome de abstinência de Genice. Não tem cura, não
tem melhora e nem quero curar ou melhorar, quero, todos dias lembrar-me dela e sofrer sua falta, para que
ao encontrá-la esteja sedento, faminto de seu amor.
Isso se Deus permitir, se não permitir, tudo que ela já me deu, já valeu viver mil vidas sofrendo.
Genice, não se passa um só dia em que eu deixe de pensar em você, passo mais tempo contigo em meu
pensamento que o contrário. Nada eu faço sem antes pensar em você. Meu amor, eu te amo e nunca te
esquecerei. Jamais imaginei que conseguiria viver sozinho, sem seu calor e companhia, mas agora pouco
descobri o quê me dá forças para continuar vivendo:
Guilherme chegou da escola, eu estava no quarto vendo TV, ele ficou na sala e sozinho ligou a televisão,
o playstation e começou a jogar Homem Aranha( sempre ele), depois de uns dez minutos gritou:
"Vô! Vô!", eu respondi, " que foi bebê" e ele gritando: " Eu te amo!", apenas isso e continuou a jogar.
Acho que você falou por ele, e se não foi, prefiro imaginar que sim.
Querida, sempre, sempre, eternamente eu te amo!






Duas imagens da mesma mulher, a de 1972 e a de 1975, esta ultima clicada em dezessete de julho de 1975,
dia em que nevou em Curitiba. Nessa tarde eu estava de plantão em Obstetrícia no Hospital de Clinicas em
Curitiba. Também eternizei esse dia na foto abaixo, com meus colegas de sexto ano. Entre uma foto e a outra
nós nossa paixão apenas cresceu e reafirmou o que já, ambos, sabíamos, que nossos destinos eram um
só, que éramos um só corpo e uma só carne e assim seremos até a eternidade.
Meu amor, seu netinho Guilherme está jogando videogame, o Ricardo na ária conversando e o Raphael já chegou
em Curitiba. Nossa filha, seu espelho,seu clone, está por aí, talvez em seu quarto. Você faz falta a todos nós
todos os dias, mas noto que seus filhos orgulham-se de ter Você como a sua mãe. Eles te vêem como realmente
você sempre foi:
uma mulher única, especial, super mãe, que amou toda sua vida e enriqueceu as nossas vidas com sua existência.
Nós te amamos, amor. Você continua viva para nós.
Beijos.

Estou de blusa vermelha.







